12th International Conference on Information Systems & Technology Management - CONTECSI

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por Letícia Paiva   


Entre os dias 20 e 22 de maio, aconteceu na FEAUSP o 12th International Conference on Information Systems & Technology Management (CONTECSI), que contou com dezenas de workshops e fóruns. Para esta edição, foi criado um aplicativo do Congresso, com informações sobre a programação e os palestrantes, além de conectividade com as redes sociais. Simultaneamente, ocorreram o 34th World Continuous Auditing and Reporting Systems Symposium (WCARS), o 1st International Conference on Technology and Information Organization (TOI) e o 1st International IT Meeting. O coordenador geral do CONTECSI é professor Edson Luiz Riccio.

O 1st International IT Meeting foi realizado pelo GAESI, grupo da Poli USP que pesquisa e desenvolve tecnologias de automação e gestão de processos. O painel girou em torno do conceito de Cidades Inteligentes, com apresentação de iniciativas tecnológicas na área.

Cidades Inteligentes
De acordo com definição do GAESI, "Cidades Inteligentes são comunidades que usam conscientemente a tecnologia da informação para transformar as relações de vida e trabalho dentro de seu território". O professor Mario Eduardo Dias, que coordena a equipe, elencou alguns dos projetos recentes do grupo feitos em parceria com a Prefeitura de São Paulo, como a integração semafórica, oferecendo condições para que as cidades criem centrais de mobilidade urbana, e a zeladoria urbana, que usa dados eletrônicos e georrefereciamento para integrar, em tempo real, informações coletadas pelos fiscais, com a administração central. "Tecnologias como essas serão usadas no Brasil inteiro", afirmou o professor.

Documentos Eletrônicos - Sistema Autenticador Transmissor (SAT)
O pesquisador Vidal Melo, integrante do GAESI, apresentou o SAT, modelo tecnológico de automação da emissão de documentos fiscais, a ser usado no controle da arrecadação de impostos pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Com o equipamento instalado nos estabelecimentos, a prestação de contas do contribuinte é automática e em tempo real. Dessa forma, o fiscal da Receita não precisa ir até os estabelecimentos recolher documentos, e o contribuinte despende menos esforço e custos na declaração, já que todo o processo é automatizado. O programa `Nota Fiscal Paulista´, que beneficia consumidores, também é atualizado automaticamente, mas o comprovante ainda pode ser requisitado no momento da compra.

O modelo visa evitar a sonegação de impostos, que ocorre em 60% das operações de varejo e desvia cerca de 3,5 bilhões de reais dos cofres públicos, segundo dados de 2009 citados por Vidal Melo. As informações captadas pelo sistema, como horário e valor das transações, permitem analisar padrões comportamentais dos consumidores e facilitam o controle em áreas comerciais de difícil mensuração no sistema anterior, podendo atuar independentemente da conexão com a internet.
Segundo Vidal Melo, o modelo permite a criação de uma sociedade mais justa e inteligente, além da melhoria da competitividade entre as empresas, que ficaria mais uniforme e íntegra. "Toda solução que tivermos para controlar as fraudes fiscais pode solucionar outros problemas". O sistema eletrônico deverá ser obrigatório em São Paulo a partir de julho para a maioria dos estabelecimentos.

Mobilidade Urbana
Os problemas e algumas das soluções para a mobilidade urbana da cidade de São Paulo nortearam a exposição de Jilmar Tatto, Secretário Municipal de Transportes de São Paulo. "O problema da cidade não é a falta de espaço, mas o modo como esse espaço é ocupado", afirmou ele. 46% das viagens são feitas em veículos individuais (que ocupam mais espaço em relação ao número de pessoas que transportam) e 54% em transporte coletivo público. De acordo com ele, "a tendência não é melhorar, já que o número de carros que entra na cidade voltou a aumentar". Os carros ocupam 80% da rua, mesmo sendo minoria em número de usuários, mas "reclamam que as faixas de ônibus estão retirando seu espaço".

Jilmar Tatto afirma que isso corresponde à "lógica rodoviarista" da organização da cidade, em que os carros particulares contam com maior prioridade em detrimento dos pedestres, ciclistas e transporte coletivo. Aponta que as faixas e corredores de ônibus foram capazes de poupar quatro horas semanais dos seus usuários, e que as novas faixas transversais presentes em alguns pontos da cidade facilitaram a travessia dos pedestres com apenas sete segundos a mais de espera no semáforo para os carros. "Essas mudanças permitem que essa `lógica rodoviarista´ seja alterada". Ele diz que as ciclovias também ajudam nesse processo, considerando que "existem mais viagens de ciclistas do que em táxis em São Paulo", o que justificaria a mudança na configuração das ruas. "O objetivo é tornar a cidade mais humana, por isso existe a preocupação em dar espaço para quem não tinha".

José Evaldo Gonçalo, Secretário Adjunto da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, apresentou o Centro Integrado de Mobilidade Urbana (CIMU), que será implantado na cidade. Segundo ele, o novo sistema irá integrar todas as informações sobre transporte e trânsito em uma base única, com "nível inteligente inexistente no Brasil".Uma das centrais será o Centro de Controle do Sistema de Ônibus (CCO), que possibilitará a coordenação geral das frotas, evitando a pulverização dos comandos nas garagens como acontece atualmente, o monitoramento para colocação de carros de acordo com a demanda; e o controle operacional do tráfego, evitando intervalos irregulares nas viagens. As alterações ocorrem em conjunto com as proposições do Plano Diretor em mobilidade urbana, que pretendem, entre outras medidas, descentralizar as linhas de ônibus.

Rastreabilidade de medicamentos 
Elcio Brito, pesquisador do GAESI, demonstrou a aplicação da rastreabilidade para controlar contrabando, roubo de cargas e falsificação de medicamentos. No sistema, a indústria possui um banco de dados contendo as identificações únicas (uma espécie de RG) dos medicamentos, repassados para o distribuidor e, posteriormente, para o varejo. Assim, todos os `passos´ dos medicamentos ficam gravados de forma eletrônica. "Cada elo da cadeia pelo qual o medicamento passa tem responsabilidade sobre a transição", explica o pesquisador.

"A rastreabilidade é o principal mecanismo contra a ilegalidade, mas fazer isso em um país como o Brasil não é fácil", diz. Será feito um piloto do modelo de sistema com algumas indústrias e poucos lotes de medicamentos; se funcionar adequadamente, ele poderá ser implantado em 2016.

Iniciativas tecnológicas para cadeia alimentar segura 
O pesquisador Vidal Melo encerrou o painel expondo o projeto denominado Canal Azul, lacre eletrônico com informações sobre os produtos armazenados em contêiners A tecnologia também usa os conceitos de transmissão automática de dados e rastreabilidade. Permite a antecipação de erros no transporte, reduz custos, diminui a burocracia, elimina risco de extravio de cargas e, principalmente, garante maior agilidade na cadeia logística. Com o sistema, a espera para a liberação da carga que era de alguns dias caiu para poucas horas, diminuindo filas nos portos. Como ele também é eletrônico, o acúmulo de pilhas de documentos em papel também é evitado.

Vidal Melo defende que a camada privada se comunique a camada pública, para isso "é preciso ter uma interface de automação entre o privado e o público, que seria o SAT".

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 25 Maio, 2015

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