Estudo mede a confiança do brasileiro no Sistema Judiciário

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por Letícia Paiva

A partir da base de dados do Índice de Confiança no Sistema Judiciário, disponibilizado trimestralmente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Joelson Oliveira Sampaio construiu sua tese de doutorado, realizado na FEAUSP, procurando evidências sobre a confiança do brasileiro no Sistema Judiciário. O professor Rodrigo De Losso orientou a pesquisa. O trabalho explorou o que poderia explicar as diferenças entre os níveis de confiança dos respondentes do Índice, se está relacionada com o uso da Justiça pelas pessoas, e como a criminalidade afeta a confiança na polícia. 

Sampaio afirma que um dos resultados interessantes encontrados foi a existência de um efeito em grupos de minoria (mulheres e negros, neste caso), que apresentam menos confiança no Judiciário do que outros grupos. No geral, as mulheres confiam menos por conta do acesso e custos, que `pesam´ mais devido a seus salários serem geralmente inferiores aos dos homens. As mulheres, no entanto, acham o Judiciário mais rápido do que os homens. Segundo Sampaio, isso se deve ao fato dos casos geralmente acionados por elas serem questões familiares, mais rápidos de serem resolvidos na Justiça. Entre os negros, a baixa confiança se deve aos custos e à honestidade, isto é, consideram a Justiça mais cara e menos uniforme, devido às desigualdades dos negros em relação aos brancos. 

Questionando se a confiança no Judiciário impacta em seu uso, ou seja, se a falta de confiança faria as pessoas buscarem meios ilegítimos para resolver conflitos, a tese analisa a relação entre a confiança e a procura pelo Judiciário. Sampaio usou notícias de corrupção, que geralmente afetam a percepção que as pessoas têm sobre a Justiça, para fazer essa medição, constatando que existe sim um efeito da confiança no uso do Judiciário. "As pessoas que confiam mais, recorrem mais à Justiça", afirma. 

No trabalho, também foi analisado o impacto de crimes locais na confiança na polícia. Para tanto, ele analisou as taxas de criminalidade na região do respondente, observando os boletins de ocorrência registrados na delegacia mais próxima, organizados por tipos de crime. Assim, analisou o impacto do número de crimes no geral e do número de crimes separados por tipos. "Observamos que o volume de crimes, a taxa de criminalidade, tem um impacto sim na confiança na polícia", diz Sampaio. Além disso, percebeu que a confiança na polícia advém principalmente da experiência pessoal com a polícia, sendo positiva ou negativa.

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 25 Maio, 2015

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