FEA Sustentabilidade - Tese sugere prêmio para consumidor consciente

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Conheça um pouco sobre a Tese de Doutorado de Mônica Hasner, orientada na FEA pelo Prof. Edson Crescitelli.

Letícia Paiva

Com o objetivo de entender como o consumidor compreende e pratica o consumo sustentável, Monica Sabino Hasner, formada em Administração, pesquisou consumidores e apresentou os resultados obtidos em tese de doutorado na FEAUSP, orientada pelo Prof. Dr. Edson Crescitelli, no dia 24 de fevereiro. Para a pesquisa, foram entrevistadas 172 pessoas de São Paulo, que apontaram suas preocupações e práticas para a sustentabilidade do consumo.  A maioria dos entrevistados (81%) disse concordar com a definição de consumo sustentável: “Comprar e consumir ponderando como meu consumo impacta na natureza e na sociedade”. Mas as práticas ainda são muito limitadas: “Hoje as principais práticas apontadas pelos consumidores são as que trazem um benefício financeiro, como apagar a luz ou fechar a torneira” diz Hasner.

A pesquisa também mostrou algumas contradições entre as preocupações dos consumidores: 93% se dizem preocupados com a ausência de boas alternativas de transporte e 92% com a poluição do ar de São Paulo. Em contrapartida, apenas 49% disseram importar-se em como se transportar diariamente trazendo menores danos à natureza. Para Monica Hasner, tal resultado reflete “a expectativa de que os outros façam por mim, e não entender qual a sua responsabilidade no todo”. Para que essa consciência seja formada, a pesquisadora diz que é necessário que haja um esforço coletivo: “A educação do consumidor é elementar, mas, para sensibilizá-lo sobre o consumo consciente, as empresas têm papel central”.

Ela explica que as empresas assumem essa centralidade por serem responsáveis por regular a maior parte dos fatores capazes de alterar hábitos de consumo, como os preços, as embalagens e a publicidade. “As empresas, sob pressão das concorrentes, do desenvolvimento tecnológico e dos próprios consumidores, podem se adaptar para incentivar um consumo mais moderado ou, sobretudo, mais correto, com algumas mudanças pontuais, como a adição de dosadores nas embalagens para evitar o desperdício de produtos”.

A pesquisadora aposta que, para o futuro, no Brasil, o ideal seria investir em formas de recompensar o consumidor pelas práticas sustentáveis, de modo a incentivar o consumo consciente. Ela acredita que uma conscientização real não se dará com multas ou reprimendas, mas com pequenos prêmios para quem muda de atitude. “Um bom exemplo é a possibilidade de, quando descartar os recicláveis corretamente, ganhar moedas, como já é feito em alguns lugares nos Estados Unidos”, lembra ela.



Data do Conteúdo: 
quarta-feira, 15 Abril, 2015

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