USP e Humboldt University discutem o uso de tecnologias verdes nas grandes cidades

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"O principal objetivo da ciência é cruzar conhecimentos", diz Reitor da Humboldt University

Thaís do Vale

Conferencia

Os reitores da USP, Marco Antonio Zago, e da Humboldt University de Berlim, Jan-Hendrik Olbertz, além de professores das duas universidades, participaram de um encontro, no dia oito de abril, na Sala da Congregação da FEA, para discutir os desafios da sustentabilidade nas megacidades. Parte do programa Conferências USP, o evento é resultado do fórum de pesquisa e discussão, criado entre as duas universidades, o KOSMOS Workshop. O objetivo da parceria é integrar "tecnologias verdes", que visam à preservação e à criação de infraestrutura sustentável em áreas urbanas, unindo o trabalho de professores e alunos. Os principais temas abordados foram a produção sustentável de alimentos e a agricultura urbana.

Jan-Hendrik Olbertz, reitor da Humboldt University, ressaltou a necessidade de discutir os problemas de administração e planejamento das grandes cidades, além de "uma cooperação bem sucedida entre pesquisa e ensino". Afirmou que a interdisciplinaridade é essencial para promover a sustentabilidade e a globalização: "O principal objetivo da ciência é cruzar conhecimentos". Quanto ao futuro, acredita que "os problemas só podem ser resolvidos com a internacionalização", apontando a importância da mobilidade estudantil para troca de ideias, além da interação entre estudantes e pesquisadores experientes.

O reitor Marco Antonio Zago destacou a importância da parceria entre as duas universidades: "Mais de 300 artigos foram publicados conjuntamente entre a Humboldt e a USP". Além disso, afirmou que não se trata apenas da produção de conhecimento acadêmico, mas de projetos que colaboram com a administração pública. Isso porque as diferentes iniciativas de estudos sobre metrópoles têm origem nas áreas econômica e social, abordando temas como desigualdades e direitos humanos.

Agricultura urbana já representa 15% da produção de alimentos

Da delegação alemã, a professora Heidi Hoffmann, membro da Faculdade de Agricultura e Horticultura, que lida com cultivos orgânicos e agricultura urbana, afirmou que "a urbanização desafia a alimentação e a sustentabilidade segura, pois há mais pessoas nas cidades do que nas áreas rurais e todo mundo precisa comer".

Sua pesquisa é importante para a realidade brasileira, que conta com duas megacidades (São Paulo e Rio de Janeiro). Ela lembrou a necessidade de criar novos serviços e oportunidades nessas localidades, destacando problemas com o abastecimento de água, trânsito e poluição dos rios.

A delegação alemã visitou jardins comunitários em São Paulo. A pesquisadora destacou o engajamento dos jovens no processo e ressaltou a importância de a comunidade sustentar a agricultura. "Agricultura urbana não se trata de áreas verdes, mas da produção de alimentos".

Porém, os benefícios não são apenas sociais. Hoffmann afirmou que a produção de alimentos em áreas urbanas "economiza dinheiro, reduz os custos com saúde e bem-estar social, além de aproveitar áreas abandonadas". Sugeriu que muitos alimentos sejam produzidos em espaços confinados (como vegetais verdes, ovos e peixes), promovendo diversidade e segurança alimentar. Ela reconheceu que "a ideia da agricultura urbana é mais comum em países desenvolvidos", mas admitiu que ela também ocorre em áreas pobres, especialmente para consumo próprio: "As principais responsáveis pela produção nessas regiões são as mulheres, pois usam a agricultura para alimentar as crianças". Esse sistema, segundo a pesquisadora, não é uma exceção ou uma particularidade de certas regiões, mas um importante processo econômico, sendo responsável atualmente por 15 a 20% da produção mundial de vegetais, além de suprir de 20 a 60% da necessidade familiar de alimentos.

Para sua implantação e difusão, os principais elementos são o solo e as condições climáticas. Embora pareça simples, esses dois elementos são muito alterados nas grandes cidades. Conforme citou, os solos ficam impermeáveis pelas construções nas cidades, o que não contribui para o armazenamento de água, prejudicando o cultivo de plantas. Além disso, a densidade de prédios, a falta de áreas verdes e de canais de água e de ventos interferem no clima. Por isso, foram desenvolvidos outros métodos de cultivo, como as hortas hidropônicas (que usam a água como fornecedor de nutrientes) e as plantações em serragens.

Reforçando os argumentos da pesquisadora, o professor Décio Zylbersztajn, da FEA, também defendeu a importância da agricultura urbana. Afirmou que a atual produção de alimentos está suprindo as necessidades humanas, mas a especialização em larga escala da produção demanda trabalhadores eficientes e conhecimentos específicos - o que encarece o processo. Soma-se a isso o fato de que no Brasil 80% das terras cultiváveis não são utilizadas. Assim, acredita que essa forma produtiva é uma opção não apenas do ponto de vista econômico, mas também por promover atividades de lazer em áreas verdes, o que é uma importante perspectiva educacional sobre o meio ambiente. A professora Cecília Loschiavo, da FAU, enfatizou os benefícios sociais da iniciativa, destacando que é necessário criar novos conhecimentos para solucionar o problema. Afirmou ainda que sustentabilidade é reconhecer as necessidades das gerações futuras, e por isso é importante a interação entre gerações e uma educação inovadora.

 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 13 Abril, 2015

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Bloco

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