Virando o jogo: desafios para o combate à pobreza e desigualdade no Brasil

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por Letícia Paiva

No segundo dia do ciclo de palestras do projeto Brasil do Futuro, realizado pelo CAVC (Centro Acadêmico Visconde de Cairu), a professora Leda Paulani e Ricardo Paes de Barros, professor do Insper, discutiram desafios e caminhos para o combate à pobreza e desigualdade social no Brasil. O debate aconteceu na quarta-feira (6), lotando a sala da Congregação da FEA.

A professora Paulani disse que os avanços no combate à desigualdade nos últimos anos devem ser reconhecidos. "Hoje, o nosso desafio, mais do que acabar de virar o jogo, é impedir que ele desvire. O desafio é não permitir que os pequenos passos dados na diminuição da desigualdade social no Brasil sejam anulados e voltemos para trás". De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) citados por ela, 

entre 2005 e 2010, o crescimento do consumo foi mais rápido para os 40% mais pobres da população; 
entre 2006 e 2012, cerca de 10 milhões de pessoas saíram da situação de pobreza multidimensional; 
entre 2000 e 2013, o IDH brasileiro passou de 0,682 para 0,744; 
em 1997, apenas 2,2% dos jovens negros com idade entre 18 e 24 anos frequentavam o ensino superior, em 2012 esse número era de 11%; 
o Bolsa Família permitiu uma queda de 16% na pobreza extrema;

Apesar dos resultados positivos, ela ressalva: "Nós ainda fazemos parte do grupo dos 15 países mais desiguais do mundo". O Pnud aponta que o IDH brasileiro ajustado à desigualdade é de apenas 0,542. Segundo a professora, isso acontece porque o Brasil tem uma renda condizente com a média mundial, o que é capaz de elevar o IDH sem o ajuste. 

Além disso, Paulani afirma que a desigualdade patrimonial no Brasil é ainda mais elevada do que a desigualdade de renda. No entanto, faltam dados para medir o estoque de riqueza com precisão, o que dificulta estabelecer um quadro da desigualdade patrimonial no país. A professora destacou que, para efetivamente combater a desigualdade, "não podem ser usadas apenas políticas compensatórias, deve-se atacar diretamente a acumulação de riqueza".

O professor Paes de Barros falou dos progressos sociais durante o governo Lula. "Qualquer pessoa que visitou o Nordeste há dez anos e visita hoje, encontrará um país completamente diferente", exemplificou. "Isso aconteceu porque o Brasil passou por um processo de crescimento inclusivo. Aqui, o pobre cresce três vezes mais rápido que o rico, mas a distância entre eles ainda é gigante". 

Ele elencou cinco desafios que considera emergenciais para o processo de redução da desigualdade, são eles: 

Inclusão produtiva do extremamente pobre através da formalização dos empregos, do aumento do salário mínimo e do crescimento econômico; 
Aproveitar o dividendo demográfico, considerando que hoje há 65 milhões de pessoas economicamente ativas a mais do que dependentes, possibilitando grande oferta de mão de obra; 
Elevar a produtividade, pois o Brasil tem um crescimento de produtividade muito baixo, de cerca de 1%. Assim, o país cresce menos do que poderia; 
Garantir oportunidades para a juventude, aumentando os anos de escolarização e cumprindo as metas de educação; e
Pensar em políticas públicas condizentes com as mudanças no perfil da população, que está envelhecendo. 

Para Paes de Barros, "A melhor política social para reduzir a desigualdade é o crescimento e não tem nada no Brasil impedindo o país de crescer".

Data do Conteúdo: 
quarta-feira, 13 Maio, 2015

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Bloco

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